Salário Mínimo de R$ 1.518: Quanto Sobra Depois da Cesta Básica em 2026

A cesta básica consome até 62,7% do salário mínimo de R$ 1.518 nas capitais mais caras. Veja o ranking do custo dos alimentos e quanto sobra para viver em 2026.

Cédulas de real ao lado de sacola de compras com poucos itens sobre mesa de cozinha
DadosNacional
Redação CVB 1 de julho de 2026 7 min de leitura

O salário mínimo de R$ 1.518 chega ao fechamento do primeiro semestre de 2026 com uma parcela cada vez menor sobrando no bolso do trabalhador. Em São Paulo, a cesta básica de alimentos custa R$ 952,20, o equivalente a 62,7% do piso nacional, segundo os preços coletados pela base do Custo de Vida Brasil. Sobra pouco mais de um terço do salário para pagar aluguel, transporte, energia, água e todo o resto.

O dado deixa de ser abstrato quando cruzamos o valor dos alimentos com o preço do transporte público nas capitais. Em São Paulo, cesta básica somada a duas passagens de ônibus por dia útil consome 77,8% do salário mínimo. Em Florianópolis, essa conta chega a 80,2%. Antes de pagar a primeira conta de luz, quatro em cada cinco reais do trabalhador já foram comprometidos com comer e se deslocar.

Onde a cesta básica pesa mais sobre o salário mínimo

Nas capitais monitoradas pela nossa base, o custo dos alimentos varia de forma acentuada. A liderança fica com o eixo econômico do país e com centros do Centro-Oeste e Sul, onde a logística e a renda média mais alta empurram os preços para cima.

Capital / UFCesta básica% do salário mínimo
São Paulo (SP)R$ 952,2062,7%
Cuiabá (MT)R$ 925,4961,0%
Rio de Janeiro (RJ)R$ 914,4860,2%
Florianópolis (SC)R$ 913,4360,2%
Porto Alegre (RS)R$ 870,6257,4%
Curitiba (PR)R$ 843,1355,5%

Nas seis capitais mais caras, a comida sozinha leva mais da metade do salário mínimo. O padrão se repete de forma consistente: quanto maior o centro urbano e a renda média local, maior a fatia do piso engolida pelo supermercado.

O outro lado do mapa

Nas capitais do Nordeste e do Norte, a cesta pesa menos, mas ainda assim compromete quase metade do salário. São Luís registra o menor valor entre as capitais, com R$ 651,15, o correspondente a 42,9% do mínimo. Aracaju aparece logo em seguida, com R$ 652,73, ou 43,0%. A diferença entre a capital mais cara e a mais barata passa de R$ 300 na cesta, distância que muda por completo a rotina financeira de quem ganha o piso.

Nenhuma cidade da base tem cesta acima do salário, mas a folga desapareceu

Entre as 1.209 cidades com preço de cesta registrado na base do Custo de Vida Brasil, o valor médio dos alimentos é de R$ 601,41. Nenhuma delas apresenta cesta acima do salário mínimo, o que à primeira vista soa como alívio. O problema aparece na outra ponta: em 242 municípios, a cesta básica já consome mais da metade do piso nacional.

O topo absoluto do país não está numa capital. Cidades do interior paulista como Cajamar, Vinhedo, Cubatão, São Sebastião, Paulínia e Itupeva registram cesta de R$ 1.237,86, marca que equivale a 81,5% do salário mínimo. Para um trabalhador que recebe o piso nessas cidades, sobram menos de R$ 300 no mês depois de comprar apenas os itens de alimentação.

Aluguel e comida juntos: a conta que não fecha

Quando somamos o custo da cesta ao aluguel de um apartamento de um quarto na região central, o salário mínimo perde qualquer capacidade de sustentar uma pessoa sozinha nas capitais mais caras.

Capital / UFAluguel 1 quarto + cestaSalários mínimos necessários
Rio de Janeiro (RJ)R$ 5.058,233,33
Florianópolis (SC)R$ 4.838,433,19
São Paulo (SP)R$ 4.444,202,93
Belo Horizonte (MG)R$ 3.638,302,40
Brasília (DF)R$ 3.352,862,21

No Rio de Janeiro, só o aluguel de um quarto no centro somado à cesta básica exige 3,33 salários mínimos. Em Florianópolis, são 3,19. Os números explicam por que morar sozinho com o piso deixou de ser viável nas grandes cidades e por que a divisão de moradia e o deslocamento para bairros distantes viraram regra.

Quanto o mercado realmente paga

O aperto fica mais claro quando olhamos para o que as empresas pagam na contratação. A média salarial de admissão registrada na base é de R$ 2.732,10, e a mediana fica em R$ 2.106,27. Metade das contratações mapeadas, portanto, oferece salário abaixo de R$ 2.106, valor que mal cobre aluguel e cesta nas capitais do Sudeste.

Algumas das ocupações com maior volume de contratações no país operam bem perto do piso. O frentista, com quase 139 mil registros de admissão, recebe em média R$ 1.708,41. O varredor de rua tem média de R$ 1.690,23. São profissões que sustentam serviços essenciais e cuja remuneração acompanha de perto o salário mínimo, o que as deixa diretamente expostas ao avanço do preço dos alimentos.

O que fazer com o salário que sobra

O trabalhador que ganha o piso tem duas variáveis sob algum controle: onde mora e como planeja o consumo. A diferença de custo entre uma capital cara e uma cidade média do interior pode representar centenas de reais livres por mês, o suficiente para transformar um orçamento no vermelho em uma rotina viável.

Antes de aceitar uma proposta ou planejar uma mudança, vale medir o impacto real na sua renda. No Duelo de Cidades você cruza dois municípios e descobre o salário equivalente para manter o mesmo padrão de vida. Na Bússola de Cidades, o cruzamento entre a sua renda e os preços locais aponta destinos alinhados ao seu bolso. E no Radar de Custos você acompanha quando os valores de uma cidade mudam, útil para quem monitora o preço da cesta ao longo do ano.

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Fontes e método

Todos os valores citados vêm da base própria do Custo de Vida Brasil, a partir das tabelas de cidades, custos locais e salários por ocupação. Os preços de cesta básica cobrem 1.209 municípios, e as médias salariais consolidam registros de admissão por ocupação. Os números refletem a coleta mais recente disponível no fechamento do primeiro semestre de 2026 e servem para leitura comparativa entre cidades.

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